Para além das quintas fundadoras da Pontinha, o património histórico e cultural da freguesia tem-se apoiado, nas últimas décadas, no “Velho Mirante”, o edifício mais conhecido da zona, e na Escola Agrícola da Paiã, pelo sua antiguidade e importância locais. Recentemente, também passou a ser considerado o Regimento de Engenharia Nº1, por nele ter sido instalado o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, que levou a bom termo a Revolução de 25 de Abril de 1974 e, mais tarde, o reconhecimento dos valiosos vitrais de Júlio Pomar na Igreja da Sagrada Família, que passou a integrar os roteiros culturais e turísticos do concelho.
Assim se constata a riqueza patrimonial da freguesia da Pontinha e se contraria a tendência macrocéfala de girar em torno da sede de concelho e do (importantíssimo) Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo. Para além da bela paisagem que ainda se pode desfrutar no Vale da Paiã, efectivamente, a Pontinha tem suficiente património histórico e cultural para repudiar a ideia de que, nessa, como noutras matérias, Odivelas é tudo e o resto é paisagem…
O VELHO MIRANTE: O EX-LIBRIS DA PONTINHA

O Velho Mirante tem origens ainda não completamente esclarecidas, mas tornou-se, na segunda fase da história da Pontinha, iniciada em meados do século passado, no autêntico ex-libris da freguesia. Constou durante anos que servira de posto da Mala-posta, mas nunca se encontrou nenhuma informação ou prova documental que o confirmasse.
Para além do facto de este edifício estar situado numa zona que corresponderá à antiga Quinta da Pontinha, existente, pelo menos, desde 1622 (como documentámos no capítulo anterior), a única referência que encontrámos para a sua origem aponta para uma utilização associada à caça, o que também sabemos que era uma prática usual nestas paragens, designadamente pelos moradores da Quinta da Boa Vista ou do Falcão. Quem sustenta que o “Velho Mirante” servia tal função, é Álvaro Corte Real, no seu estudo académico de 1973:
“(…) um antigo pavilhão de caça de uma das quintas aristocráticas que lá existiam, hoje transformado em casa de pasto, mas que de facto constitui a imagem mais presente do lugar”. Na realidade, desde há décadas que o Velho Mirante tem servido de afamado restaurante.
Embora seja interessante continuar a procurar informações mais substantivas sobre a origem daquele nobre edifício, o mais importante é que ele constitui a referência por excelência dos habitantes da freguesia, ao ponto de integrar o brasão da Junta e estar bem no coração da vila, imponente, dominador, preservando uma memória centenária que quase desapareceu na freguesia. No século XIX ainda se falava em “mirante”, atendendo à vista que proporcionava sobre a zona, estando hoje o Velho Mirante praticamente submerso pelos edifícios circundantes. Por isso, consideramos uma boa decisão da Assembleia Municipal de Odivelas ao considerá-lo em 2005, por unanimidade, Imóvel de Interesse Municipal, nos termos da informação dos serviços n.º 04/DCPC/SEPC/2005, de 2005.01.14, com a seguinte redacção:
Caracterização Histórico Artística
Época – século XVIII.
Síntese Histórica - Através de informação bibliográfica, do século XIX, sabe-se que o vale de Odivelas era dividido em pequenas propriedades de cultura intensiva, realizada pelos saloios. Fora desse vale, e na região que corresponde à Pontinha, a pequena propriedade desaparece e tende a acumular-se em grandes quintas como, por exemplo, a Quinta do Oliveira, da Condessa, do Mossamedeo, do Casal do Falcão (Pereira, 1910, p. 146). Segundo informações fornecidas pela Junta de Freguesia da Pontinha, não existem confirmações do que poderá ter sido o 'Velho Mirante', existe a hipótese de ser um ponto de paragem da Malaposta, ou ter pertencido à Quinta da Freira. Existe notícia da existência de um edifício arquitectonicamente semelhante na Quinta do Falcão.
Síntese Arquitectónica - Este edifício de arquitectura civil apresenta características arquitectónicas distintas: Barroco e 'estilo pombalino'. A fachada principal e as laterais são de 'estilo pombalino' pela afirmação de uma linguagem classicizante, depurada, evidenciada pela marcação distinta dos dois registos. A fachada posterior evidencia uma sensibilidade barroca na concepção de formas arquitectónicas helicoidais que permitem, através de um jogo de parede murária ondulante, conceber um sentido de movimento na estrutura arquitectónica, muito usual na arquitectura religiosa da época”.
Assim, se espera que, de agora em diante, o Velho Mirante mereça maior atenção da parte das entidades autárquicas, designadamente no estudo, conservação e fruição pela população, do mais simbólico edifício da freguesia da Pontinha.
A ESCOLA PROFISSIONAL AGRÍCOLA D. DINIS - PAIÃ
A Escola Profissional Agrícola D. Dinis da Paiã também constitui um conjunto patrimonial de tradicional apreço dos habitantes da Pontinha. E não por acaso, pois teve uma enorme influência física, profissional e demográfica nesta freguesia, ocupando um espaço estratégico de fronteira entre o núcleo histórico da Vila e o Vale da Paiã, paredes-meias com Odivelas.
A Escola Profissional Agrícola D. Dinis tem uma história quase secular, se nos reportarmos aos seus primórdios. Com efeito, foi a 3 de Abril de 1911, com a criação da Escola Prática de Pomicultura, Horticultura e Jardinagem, instalada em dependências de terrenos anexos ao Palácio de Queluz e a cargo da Associação Central de Agricultura Portuguesa, que começou a história da Escola Agrícola da Paiã. Os seus primeiros dirigentes foram o Director-Geral da Agricultura, o Eng.º Agrónomo Joaquim Pedro da Assunção Rasteiro e o Presidente da Associação Central da Agricultura Portuguesa, o Comandante Abel Fontoura da Costa. No ano de 1913, a 9 de Julho, passa a ficar subordinada ao Ministério do Fomento, sob a direcção do Eng.º Agrónomo Acrísio Cannas Mendes, sendo reorganizada em 1915, de forma a facultar um curso regular e gratuito de agricultura.
A 22 de Março de 1917 – ano oficial da fundação da Escola –, iniciou-se uma nova fase da história da Escola Prática, que passou a designar-se Escola Profissional de Agricultura do Distrito de Lisboa, por decisão da Junta Geral do Distrito de Lisboa, que adquiriu terrenos para o efeito, reunindo um punhado de quintas históricas da freguesia da Pontinha: Casal Novo, Santo Elói, Lage, Outeiro da Paiã, Azenha Velha, Urmeira, Enforcado, Serena, Santo António, Charcas, etc., com uma área de 200 hectares. A Comissão Executiva era presidida pelo Eng.º Agrónomo César Justino de Lima Alves e o Director era o Médico Veterinário Joaquim Prates. Destinava-se prioritariamente aos órfãos de cidadãos pobres do distrito e a filhos de combatentes mutilados da I Guerra Mundial. Em 1919, seria publicado o Regulamento da Escola e inaugurada a 20 de Maio, com a recepção dos primeiros alunos. Contudo, acabaria por ser extinta em Julho de 1929, com o argumento de pesados encargos, alegadamente incomportáveis para a Junta Distrital.
Em Setembro desse ano de 1929 surgiria no seu lugar a Escola Profissional da Paiã, de âmbito mais alargado, quer quanto à admissão de alunos, quer quanto aos cursos, que incluiriam, para além da actividade agrícola, as profissões de sapateiro, alfaiate, carpinteiro, serralheiro, cozinheiro. Funcionaria nestes moldes até 1939, ano em que se fundiria com a Escola Prática de Agricultura de Queluz, dando origem a um novo estabelecimento, com o nome de Escola Prática de Agricultura D. Dinis. Apesar das várias reformas pedagógicas que sofreu ao longo de três décadas e meia, preservou as suas características essenciais.
Após o 25 de Abril de 1974 unificou-se o Ensino Secundário, o que originou a transformação da Escola de Agricultura em Escola Secundária D. Dinis – Paiã, por Portaria de 1979, passando a admitir alunos externos e raparigas. Em 1980 decide-se a sua passagem para o Ministério da Educação, o que se concretiza através do Decreto-Lei nº 327/81 de 4 de Dezembro. Assim permaneceria durante uma década, até que, em 1992, enquadrada no PRODEP, daria lugar à criação de uma escola profissional, com três cursos nas áreas agrícola, agro-industrial e do ambiente. Em 1995 adoptaria a sua actual designação de Escola Profissional Agrícola D. Dinis – Paiã.
O QUARTEL DA PONTINHA E O REGIMENTO DE ENGENHARIA Nº 1
O centenário quartel da Pontinha resistiu às abruptas transformações urbanísticas e paisagísticas infligidas a este lugar durante o século XX, a que a Estrada Militar serviu de fronteira territorial e fiscal desde 1895, que ainda hoje é uma referência toponímica e memorialista.
Após um debate, intensificado em meados de oitocentos e decorrente da experiência das Invasões Francesas (1807-1811), a Estrada Militar começou a ser construída em 1863, com a ideia central da edificação de uma barreira defensiva da capital. Ao que parece, o Regulamento de 1902 é o primeiro documento oficial que enumera e regula o dispositivo montado ao longo da Estrada Militar: troços, ramais, baluartes, fortes e fortins. O Regulamento distribui os serviços da 1ª secção da Estrada Militar, que está assim delimitada:
“A estrada militar que, partindo do forte de D. Luiz I e passando à frente da povoação de Queijas, se dirige pela retaguarda do Moinho do Cartaxo ao Valle do Jamor, transpondo-o próximo de Vallejas, e cortando a estrada de Carnaxide a Queluz sobe, à serra de Alfragide, d’onde pelo Casal da Serra segue pela frente da povoação de A da Maia ao Casal de Cannas, e atravessando a estrada de Lisboa a Cintra à frente de Bemfica, passando pelos Arneiros, Casal do Falcão, Pontinha se dirige pela Malpenteada, Pentieira, Costa da Luz ao Valle de Forno, quilometro 18, próximo da calçada de Carriche”.
Nesta secção são mencionadas as baterias da Malpenteada e do Falcão, da Costa da Paiã, do alto da Pentieira, da Costa da Luz, entre outras.
Não se pode dissociar a história do Regimento de Engenharia Nº 1 da história do Quartel da Pontinha. Foi em 1901 que a Companhia de Sapadores de Praças se instalou naquele quartel, inicialmente destinado à Guarda Fiscal, pois a Estrada Militar delimitava a fronteira entre Lisboa e os concelhos limítrofes, sujeitando a entrada de mercadorias ao pagamento de taxas, cobradas pela Guarda Fiscal. Por isso, teve que se adaptar o quartel às tropas de Engenharia, tarefa cumprida pelo notável olisipógrafo Augusto Vieira da Silva, então Capitão de Engenharia.
O Regimento de Engenharia Nº 1 é o legítimo herdeiro do Batalhão de Artífices Engenheiros, criado por decreto em 24 de Outubro de 1812, data que é comemorada como o Dia da Unidade no Quartel da Pontinha. Beneficiando da extinção das ordens religiosas e a da nacionalização dos seus bens, em 1834, as unidades militares passaram a poder instalar-se em antigos conventos, situação que aproveitou à arma de engenharia. Nesse ano, o Batalhão de Artífices e Engenheiros foi extinto e passou a designar-se Batalhão de Sapadores, com seis Companhias de Artífices.
Em 13 de Agosto de 1849 a sede deste Batalhão foi transferido para o Quartel de São Domingos em Abrantes e, em 20 de Dezembro, o nome volta a mudar, agora, para Batalhão de Engenheiros, com quatro Companhias de Pontoneiros, Mineiros e Sapadores. Em 1869, nova mudança de nome: Batalhão de Engenharia, com quatro Companhias (Mineiros, Sapadores, Pontoneiros e Operários Militares). Sob os auspícios de Fontes Pereira de Melo, também ele oficial de Engenharia, criou-se, em 31 de Outubro de 1884, o primeiro Regimento de Engenharia, com três batalhões. O decreto de 29 de Novembro de 1901 cria a Companhia de Sapadores de Praça, unidade independente aquartelada no Quartel da Pontinha. Cruzavam-se assim os destinos da arma de Engenharia e do Quartel da Pontinha.
Em 1911, reorganiza-se o Exército em consequência da implantação da República, pelo que é extinto o Regimento e criados dois Batalhões de Sapadores Mineiros, que acabam por se fundir num único, reservando-se autonomia ao Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro (o “Sempre Fixe”), de que o RE 1 é o herdeiro. Em 1926, criam-se dois Regimentos de Sapadores Mineiros (Nº 1 em Lisboa e Nº 2 no Porto), que se organizam no ano seguinte em Batalhões, fixando-se o Nº 1 com Comando em Queluz e três grupos, ficando o 3º na Pontinha. Em 1932, nova reorganização do Regimento coloca o 3º grupo na Pontinha, com uma Companhia de Mineiros e outra de Sapadores de Estrada. De novo se volta à organização em dois Regimentos de Engenharia em 1937 e, em 6 de Outubro de 1939, o RE Nº 2 envia o Batalhão de Transmissões para a Pontinha.
A 24 de Outubro de 1947 a Unidade passa a designar-se Regimento de Engenharia Nº 1. Nos anos 60, as tropas do RE 1 auxiliam as vítimas de vários cataclismos: das inundações de 14/1/1966 na Paiã, das cheias de 25/11/1967 em Lisboa, do terramoto de 28/2/1969. Em Novembro de 1971, o comando do RE 1 transfere-se do Campo Grande para o Quartel da Pontinha. Entre 1977 e 1980 passa a designar-se Regimento de Engenharia de Lisboa, para passar definitivamente à actual designação de Regimento de Engenharia Nº 1, com quartel na Pontinha.
São incontáveis os serviços prestados à população da freguesia da Pontinha, nomeadamente após o 25 de Abril, de que a edificação do Jardim Infantil e Popular da Pontinha constitui um bom exemplo. Culminando a excelente relação entre esta Unidade militar e a população, mormente através das autarquias locais (Câmaras de Loures e de Odivelas e Junta da Pontinha), mediante um protocolo celebrado entre o Regimento de Engenharia Nº 1 e a Comissão Instaladora do Município de Odivelas, inaugurou-se em 24 de Abril de 2001 o Núcleo Museológico do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, com a presença do então Primeiro-Ministro António Guterres, proporcionando uma maior visibilidade àquele espaço mítico da Revolução dos Cravos e uma maior fruição da História viva do mais notável episódio da História de Portugal do século XX.
OS VITRAIS DE JÚLIO POMAR NA IGREJA DA SAGRADA FAMÍLIA

As circunscrições eclesiásticas nem sempre coincidem com as circunscrições civis. Foi precisamente isso que aconteceu na Pontinha. Enquanto a freguesia foi criada em 1984, a paróquia da Sagrada Família da Pontinha foi decretada em 28 de Junho de 1971 pelo Cardeal Cerejeira, antes de ser substituído no Patriarcado por D. António Ribeiro. Desde 1960 que os bairros da Pontinha, Santa Maria (Urmeira), Paiã e Passa Fome se encontravam subordinados à paróquia de S. Lourenço de Carnide, cuja freguesia havia sido integrada no concelho de Lisboa em 1885, como vimos anteriormente. Com a criação do concelho de Loures no ano seguinte, a parte do território da freguesia de Carnide que pertence à actual freguesia da Pontinha passaria para esse concelho, tal como a freguesia de Odivelas. Embora a Igreja da Sagrada Família da Pontinha tenha sido inaugurada em 1954, só em 1971 esta zona seria destacada da paróquia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, criando-se então a paróquia da Pontinha.
Data precisamente de 1954 o conjunto de doze vitrais encomendados ao pintor Júlio Pomar, que valorizam e personalizam patrimonialmente a Igreja da Sagrada Família, distribuídos pelo templo do seguinte modo: um vitral circular na fachada principal, representando a Sagrada Família, dois arcanjos (S. Miguel e S. Rafael) na capela-mor e os restantes nove, representando santos, no corpo da Igreja (S. João de Deus, Santo António, Santa Rita, Santa Filomena, Santa Cecília, Santa Isabel, S. José, S. Pedro e S. João Baptista).
A vitralaria era apreciada pela geração de 40 da Escola de Belas Artes do Porto – onde Júlio Pomar cursou –, devido à potencialidades de variação da luminosidade, suscitando uma gama de efeitos pictóricos que acompanhava as incidência da luz do dia. Este magnifico conjunto de vitrais de Pomar, mereceram a seguinte apreciação de Sara Cristina Silva:
“Estas representações artísticas destacam-se por um realismo matizado de lirismo. Está patente, nestes vitrais, um humanismo geométrico, intrínseco ao vitral, pela preocupação na delimitação dos contornos das figuras com o auxílio dos filetes metálicos, elementos estruturantes destas composições. Estas configurações personificam o espírito”.
Os vitrais da Igreja da Pontinha constituem hoje visita obrigatória nos roteiros culturais do concelho de Odivelas, o que contribui para a rejeição da macrocefalia da freguesia de Odivelas em matéria patrimonial. Do mesmo modo, também as outras freguesias começam a ver considerado seu património histórico e cultural no âmbito concelhio. Foi uma das grandes vantagens da criação do concelho de Odivelas. É preciso aprofundar esta perspectiva, sob pena de se perderem estas autênticas pérolas patrimoniais que são os vitrais de Júlio Pomar na Pontinha.
Nª. Srª. DOS PRAZERES
O Nicho de invocação à Nª. Srª. dos Prazeres, foi inaugurado pela Junta de Freguesia da Pontinha, projectado pelo Arq. Filipe Dinis, e situa-se junto ao local da antiga Ermida da Srª. dos Prazeres, perto do campo de Jogos do C.E.R. Tenente Valdez, na Paiã.
O Nicho foi construído na sequência da recreação histórica organizada em 2005, pela Câmara de Odivelas e pela Junta de Freguesia da Pontinha, da procissão levada a cabo aquando do transporte da imagem do local onde originalmente era venerada, na Qtª. da Azenha Velha, para o local onde foi eregida a Ermida. Actualmente o único vestígio da ermida é o arco da capela-mor, nas instalações do bar do Centro Escolar Republicano Tenente Valdez.
Segundo o Padre José Baptista Pereira, na sua obra 'Memória de Carnide' de 1895: ' ...Em humilde outeiro, que domina o formoso vale da Payan, ergue-se a não menos humilde Ermida...', 'O culto d´essa capella da Azenha Velha conservou-se até à sahida da imagem, pois ainda, na vespera ali se celebrou missa.' e 'Em aparatosa procissão, pois foi a communidade da Missão, de cruz alçada, buscar na manhã do dia 08, a imagem da Nossa Senhora, e na volta cantou-se missa solemne, acompanhada a orgão. (...) Assim viu o povo da Payan coroados de feliz exito os seus esforços! Imagine-se de quanta alegria não seria para elle o dia 08 de Setembro de 1832!'.
A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres remonta a D. Afonso Henriques, conhecida na época como Nossa Senhora da Victória pela sua intercessão na batalhas contra os Mouros, concedendo várias vitórias ao rei português. A virgem era venerada '... com o titulo dos Prazeres desde o tempo dos Godos estava insinuando o grande jubilo (...) pelo qual o invencível Rey Affonso Henriques vos havia de dar este título da Victoria (...) que só a vós de devia o triumfo', segundo Frei António do Espírito Santo Andrade, em 1783.
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